75% dos profissionais da saúde de SP sofrem com violência no trabalho

Uma pesquisa elaborada pelo Cremesp – Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e pelo Coren-SP – Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, revelou que os profissionais da saúde do estado de São Paulo têm sido constantemente vítimas de violência dentro do local de trabalho. A pesquisa apontou dados de que 75% dos profissionais da saúde, incluindo médicos e enfermeiros, já passaram por alguma situação ou sofreram com a violência enquanto trabalhavam. O principal relato da equipe da saúde, é de violência verbal. Os outros tipos de violência são, agressão psicológica, e por último a agressão física.

O estudo foi feito com a ajuda de 5.658 profissionais da saúde, tanto enfermeiros quanto médicos, no começo deste ano. Os dados também mostraram que a maior ocorrência de violência contra os profissionais da saúde aconteceram na rede SUS – Sistema Único de Saúde. Dentre os agressores, os principais foram os próprios acompanhantes ou familiares dos pacientes. O segundo maior agressor dos profissionais da saúde foram os pacientes que passavam no momento por algum atendimento.

Bráulio Luna Filho que é conselheiro da Cremesp, destacou que os médicos não recebem nenhuma preparação durante o seu estudo para lidarem com pacientes conflituosos. O dialogo entre um paciente incompreendido ou aborrecido e um médico pouco tolerante pode gerar um atrito maior do que o necessário. O conselheiro Luna Filho afirmou: “A violência é universal, mas no sistema privado é mais comum haver uma resposta a isso, como a criação de centros de acolhimento. No SUS, não há esse suporte.” Segundo Luna Filho, os profissionais da saúde da rede privada ainda contam com um suporte específico para o problema, já os profissionais que atuam na rede pública carecem de um tipo de acolhimento para dialogar com o problema.

Mesmo com tantos atos de violência, 70% dos profissionais que responderam a pesquisa alegaram não ter feito nenhum tipo de denúncia contra o agressor. A maioria dos médicos que disseram não ter feito a denúncia, também alegaram que o motivo seria porque as autoridades não dariam importância para a denúncia, além disso, afirmaram que o processo para registrar uma denúncia como essa é muito mais dificultoso do que o habitual já burocrático. Os enfermeiros por sua vez, disseram em sua maioria o maior motivo para não registrarem uma denúncia foi porque não existem nenhuma política de proteção às vítimas, sendo assim eles sentiram medo de perder o emprego.

A maior parte dos enfermeiros que responderam a pesquisa afirmaram ter relatado o ocorrido para seus superiores imediatamente. Ainda assim, apenas 17,4% alegaram que tiveram a sua situação resolvida. Os médicos foram questionados se continuaram a trabalhar no mesmo lugar após os atos de violência, 66,5% deles disseram que conseguiram superar a situação e continuarão a trabalhar no local. O último questionamento para os profissionais de enfermagem foi se eles continua a receber esses atos de violência no trabalho, 62,7% dos enfermeiros e 63,9% dos médicos que foram entrevistados afirmaram que ainda são frequentemente vítimas de violência no trabalho.

 

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