A crise sem fim nos correios acaba com o prestígio de uma das maiores empresas do país 

Está faltando carteiro e está faltando agência. Muitos moradores sentem a enorme dificuldade que a falta desse serviço tão fundamental nas vidas das pessoas tem gerado. Há 15 quilômetros do centro de Brasília, a professora Sara Bianciotto, diz que uma das maiores dificuldades dela, é o atraso das cartas de sua avó que está na Itália. “Difícil não ter uma agência próxima aqui, seria muito mais fácil ter uma agência próxima da gente”, diz a professora.

Não tem e não vai ter, pelo contrário, os Correios estão fechando mais agências. Um outro exemplo é o de Caxias do Sul na Serra Gaúcha, uma agência com mais de 40 anos vai deixar de existir. Outras duas também encerram os trabalhos até junho. “Não só a minha comunidade, mas todas as comunidades ao redor porque tem muita gente que pega correspondência aqui. Vai ser bem complicado”, diz uma agricultora da região da Serra Gaúcha, Deise Valentin.

E o que levou os Correios com o título de empresa mais confiável do país passar por uma crise dessas? A empresa disse que teve prejuízo de R$ 2 bilhões em 2015 e quase isso em 2016. Em janeiro e fevereiro desse ano, fechou no vermelho novamente. A atual direção justifica que a atividade postal está em decadência, que as tarifas postais ficaram anos congeladas por causa da inflação. Também diz que a empresa não avançou para outra área de atuação, como fizeram as do mesmo ramo no mundo.

“Hoje a atividade postal se restringe basicamente às comunicações judiciais e às operações comerciais, boleto, cobranças. Fora isso, a atividade mudou e mudou muito, com uma grande queda do nosso serviço”, explica o presidente dos Correios, Guilherme Campos. O presidente dos Correios também foi questionado pela reportagem se a crise dos Correios tem a ver com os gestores que partidos políticos sempre indicaram para os cargos de direção?

“Eu sou suspeito de falar, sou uma indicação política assim como foram ao longo dos 354 anos de história dos Correios, sempre indicações políticas. É uma empresa pública e para acabar com a indicação política, só privatizando”, responde o presidente. O presidente foi uma escolha de um dos aliados do atual governo.

Esse ano a justiça chegou a afastar seis vice-presidentes por falta de qualificação técnica, mas eles voltaram aos postos também por decisão judicial. Para a Federação dos Empregados, o preenchimento de cargos nos Correios por políticos, colaborou para a ruína da empresa.

“Entra partido e sai partido e os Correios não consegue se manter em foco, em alinhamento realmente de empresa a qual é considerada de porte mundial. O problema não é os funcionários dos Correios, é a atual administração que não consegue fazer o que deveria ser feito realmente para manter essa empresa sustentável”, explica Susy Cristiny da Fed. Nac. Empregados dos Correios.

As férias de quem trabalha nos Correios foram suspensas por um ano, e foi aberto um programa de demissão incentivada, saíram 5.500 servidores, mas eram esperados 8 mil demissões. Agora a empresa já fala em demissão motivada, como será feito isso já está sendo estudado e os trabalhadores já foram avisados. Eles veem isso como um assédio moral e abrirá um precedente para outros concursados de outras estatais. O presidente dos correios disse que hoje dois terços da receita são usados para pagar despesas com pessoal.

 

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