Crimes cometidos contra o consumidor em postos de gasolina

Respeitamos você consumidor. Qualidade no combustível é aqui – Essas são mensagens que alguns postos de gasolina trazem para atrair o cliente. Mas não se iluda, é mentira. Testes de laboratório revelam. Quem abasteceu o carro em postos de combustível do Paraná e de São Paulo, foi enganado na quantidade e na qualidade.

“Foram constatados 69% de álcool na gasolina. As pessoas acabam ludibriadas e acabam sendo enganada corriqueiramente”,diz o delegado-chefe Del. Defesa do Consumidor, Guilherme Rangel.

A ANP – Agência Nacional do Petróleo, estabelece no máximo 27% de álcool na gasolina. Representantes dos setores estimam que dos 40 mil postos do Brasil, 1200 postos vendem combustível adulterado.

Um carro adaptado da Associação Brasileira de Combate a Fraudes de Combustível – ABCF, circulou em busca de postos de combustível para ser abastecido. Ao fazer o abastecimento, a gasolina não vai para o tanque original, e sim para um galão instalado no porta-malas do carro. Assim, os frentistas nem desconfiam que se trata de uma investigação.

Foram feitas análises em três postos que já tinha sido flagrado antes pela ABCF trapaceando. São cinco câmeras para registrar todos os detalhes da fraude.

Na região metropolitana de Curitiba, PR, o posto Rubi, localizado na cidade de Colombo, já tinha sido fiscalizado duas vezes e nas duas vezes, os técnicos encontraram indícios de fraudes. Um dos procedimentos da investigação é o dialogo registrado com funcionário dos postos.

O Investigador fez algumas perguntas sobre o combustível a um dos frentistas do posto Rubi sem que ele soubesse que a conversa estava sendo gravada.

O investigador: “Você me garante a gasolina aqui?”

Frentista: “Então, te garanto. Com certeza”

Os outros dois postos são: posto Midas, em Curitiba e o posto Colina, também em Colombo.

Mas uma vez o combustível deles foi reprovado. No Midas, a gasolina tinha 49% de álcool, quase a metade.

Uma outra fraude se repetiu nos três postos. O tanque recebeu menos combustível do que o registrado na bomba. A maior diferença aconteceu no posto Rubi, a bomba registrou 38,4 litros. O abastecimento ficou em R$ 125,00, mas entraram de fato no tanque, 36,7 litros, uma diferença de 4%. Ou seja, o valor deveria ter ficado em R$ 119,00.

Para pôr em prática o golpe do abastecimento é preciso adulterar a bomba de combustível. Lá dentro existe uma placa eletrônica que comanda várias funções. É esta placa que controla a quantidade de litros que tem que ir para o tanque do consumidor. Mas os criminosos colocam placas falsas e também adulteram as verdadeiras para liberar menos combustível e lesar o consumidor. É o golpista que decide quando vai acionar a placa, para isso, basta ter um controle remoto. Também dá para controlar a bomba de longe, através de um computador ou smartphone.

No posto Via Aeroporto, também em Curitiba, em uma fiscalização feita em fevereiro de 2017, todas as bombas estavam programadas para mandar menos combustível para o tanque dos veículos. Investigações recentes, revelam que a diferença entre o volume real e o volume falso indicado na bomba, chegou a 10%.

A fraude de mandar menos combustível para o tanque do consumidor, gera muito lucro para o dono dos postos. Veja um exemplo:

Se um posto tem 200 mil litros no estoque e manda 10% menos combustível em cada abastecimento, no final o comerciante recebeu por toda essa quantidade e ainda sobraram 20 mil litros para ele vender. Cada litro de gasolina custa hoje em média R$ 3,27. Ou seja, só com essa fraude o dono do posto embolsou R$ 65.500,00 de forma criminosa.

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